Dias 1 e 2 Outubro de 2011 - Vivência Xamanica

Um resgate da nossa essência energetica, mande um e-mail para jornadaxamanica@gmail.com solicitando mais informações e venha conhecer mais um pedacinho do céu..........................................................................................................................................................................................

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quinta-feira, 29 de maio de 2014

LENDAS INDÍGENAS


As lendas indígenas são histórias fantásticas cheias de mistério sobrenatural, ligadas à feitiçaria e à magia.
Nas nações indígenas essas histórias são muito importantes, possuem o poder de doutrinar os índios jovens e arredios. Algumas dessas histórias foram criadas a partir de fatos verídicos, acontecidos nas regiões onde viveram seus heróis antepassados, que se sobressaíram dentre os membros de sua tribo, pelo poder, beleza, bondade, caridade, ou outros feitos, e tornaram-se encantados.
Outras referem-se à flora e fauna da região, pois segundo suas crenças, tanto as plantas como os animais, os rios, os igarapés, os lagos, as cachoeiras e o mar, possuem os seus protetores que exigem respeito e inspiram temor. Dentre as lendas mais conhecidas estão:
ANHANGÁ
É um gênio andante, espírito arredio ou vagabundo, destinado a proteger os animais das matas. Ele aparece sob a figura de um veado branco, com olhos de fogo. Quando um caçador persegue um animal que está amamentando, corre o risco de ser atacado pelo Anhangá.
O BOITATÁ
É uma cobra de fogo "boiguaçu", que aparece deslizando pelas matas, espalhando clarões na noite. Quando morre, espalha uma luz que tem na barriga pela escuridão da noite carregada pelo vento. Essa luz é proveniente dos olhos dos animais de que ela se alimenta, principalmente dos gatos, que ela digere, mas conserva a luz. Às vezes o boitatá anda a pé, como um fantasma branco e transparente, de olhos grandes e furados, assustando animais e viajantes.
O BOTO
É o mais importante habitante encantado do rio Amazonas. Nas altas horas da noite, propriamente à meia noite ele se transforma em gente.
Anda em cima dos paus das beiradas do rio, de preferência sobre os buritizeiros tombados nas margens.
Veste roupa branca e usa um chapéu branco para ocultar uma abertura no alto da cabeça por onde sai um forte cheiro de peixe e hálito de maresia. Ele aparece nas festas tão elegante que encanta e seduz as donzelas. Dança a noite toda com as mais jovens e mais bonitas da festa. Sai com elas para passear e antes da madrugada pula na água e volta à forma primitiva de peixe, deixando as moças sempre grávidas.
Além de sedutor e fecundador é conhecido também como o pai das crianças de paternidade desconhecida, pois as mães solteiras o acusam de ser o pai de suas crianças.
O Boto-homem é obcecado por mulheres, sente o cheiro feminino a grandes distâncias. Para evitar que ele apareça esfrega-se alho na canoa, nos portos e nos lugares onde ele gosta de aparecer.
O CAIPORA
É um menino escuro pequeno e rápido, cabeludo e feio, fuma cachimbo, e sua função é proteger os animais da floresta, os rios, as cachoeiras.
Vive sondando as matas montado num porco, sempre com uma longa vara na mão. Quando o caçador se aproxima o caipora pressente sua chegada através do vento que lhe agita os cabelos. Então sai a galope no seu porco fazendo o maior barulho para espantar os veados, os coelhos, as capivaras e outros animais de caça. As vezes, o caçador, sem ver direito, corre atrás do próprio caipora que montado em seu porco faz zigue-zagues pelo mato até perder-se de vista.
O CAIRARA
Na tribo dos Bororós havia um pajé muito sábio. Ele vivia triste por ser gordo e por isso todos o chamavam de cairara. Certo dia, ele descobriu uma erva que os macacos comiam e os conservavam sempre esbeltos e ágeis. Resolveu tomar um chá feito da erva, para ver se ficava esbelto como os macacos.
Durante sete dias ingeriu a porção. Ficou esbelto, os cabelos finos se alongaram, as pernas encolheram. Ficou assustado quando viu que até um rabo começou a aparcer. Parou de beber a droga, mas a transformação continuou.
Hoje o cairara é uma espécie de macaco fino, inteligente e engenhoso que vive nas matas da Amazônia.
A CIDADE ENCANTADA
No Maranhão um pouco abaixo do rio Gurupi existe uma grande pedra negra. Os barcos de caboclos nunca passam à noite próximo a ela. Esta pedra tem uma grande caverna. Dizem que antigamente existiu uma cidade nesse lugar e o mar cobriu tudo, ficando só a ponta da pedra de fora. À noite se ouvem sons de instrumentos de música e até repiques de sino sair da pedra.
O CURUPIRA
É um ser do tamanho de uma criança de seis a sete anos, anda nu, é peludo como o bicho preguiça, tem unhas compridas e afiadas, o calcanhar para frente e os pés para trás.
Toma conta da mata e dos animais mora nos buracos das árvores que tem raízes gigantescas, muito comuns da floresta amazônica.
Ele ajuda os caçadores e os pescadores que fazem o seu pedido e em troca oferecem-lhe cachaça, fósforo e fumo. Este ofertório é para que o indivíduo tenha fartura nas caçadas, pescarias e roçados.
As pessoas que não tem devoção para com ele sentem medo, enjôo e náuseas a quilômetros de distância dele. Com essas pessoas ele brinca fazendo com que elas se percam na mata.
Para se livrar do curupira deve-se cortar uma vara fazer uma cruz e colocar em um rolo de cipó tumbuí, bem apertado. Ele vê esse objeto e procura desmanchar o enrolado, enquanto ele fica entretido a desmanchar o enrolado a pessoa tem tempo para fugir.
A GALINHA GRANDE
Nas estradas pouco trafegadas aparece um animal, sob a forma de uma galinha, acompanhado de uma grande ninhada de pintinhos. A galinha e os pintinhos vivem mariscando, e quando avistam ou são avistados por alguém, começam a crescer e acabam atacando o viajante, que tem que se defender com armas até eles desaparecerem.
O GUARANÁ
Numa aldeia indígena um casal teve um filho muito bonito, bom e inteligente. Era querido por toda a tribo. Por isso Jurupari, seu pai, começou a ter raiva dele, até que um dia transformou-se em uma cobra, permanecendo em cima de uma árvore frutífera.
Quando o menino ainda criança foi colher um fruto desta árvore, a cobra atirou-se sobre ele e o mordeu. Sua mãe já o encontrou sem vida. Ela e toda tribo choraram muito. Enquanto isso, um trovão rebombou e um raio caiu junto ao menino. Então a índia-mãe disse: - É Tupã que se compadece de nós. Plantem os olhos de meu filho, que nascerá uma fruteira, que será a nossa felicidade. - Assim fizeram e dos olhos do menino nasceu o guaraná.
IARA OU UIARA
É uma ninfa que habita as águas dos rios, dos lagos e das cachoeiras. Conhecida como a dama das águas ou mãe d'água.
Possui grande encanto e beleza, apresenta-se sob a forma de uma sereia, metade mulher e metade peixe. Com a sua formosura atrai o homem, deixando-o tonto de tanta paixão, e leva-o para o seu palácio encantado, que fica no fundo das águas e mata-o, depois de usufruir de deliciosos momentos de prazer e núpcias funestos.
O LOBISOMEM
A lenda do lobisomem (meio homem, meio lobo), diz que um homem se transforma em um porco comum, de grande tamanho, e aparece sempre nos caminhos usados pelos habitantes da região, nos dias de lua cheia a partir da meia-noite, soltando uivos que apavoram as pessoas que ouvem. Algumas pessoas o ouvem como se fosse um animal comendo ou roendo ossos. Quando isso acontece ele está preparado para atacar com suas unhas enormes e brigar com as pessoas que aparecem na rua. Ele ataca também animais domésticos como cachorros, gatos, vacas, cavalos.
A MANDIOCA
Numa tribo indígena a filha do Tuxaua deu à luz a uma menina branca como leite. O Chefe quis matar a filha, mas um moço branco lhe apareceu em sonho e lhe disse que a mãe da criança não era culpada.
A criança logo depois que nasceu começou a andar e falar. Mas não viveu muito tempo. Antes de completar um ano, morreu sem ter adoecido. O Tuxaua mandou enterrá-la na própria aldeia, e a mãe todos os dias lhe regava a sepultura, sobre a qual nascera uma planta que deu flores e frutos. Os pássaros que os comiam ficavam embriagados.
Certa vez a terra abriu-se ao pé da planta e apareceram as raízes. Os índios as colheram e viram que eram brancas como o corpo de Mani, e deram o nome de Maníoca (casa de Mani) ou corpo de Mani. E à planta deram o nome de maniva (Mandioca).
A PRINCESA DO LAGO
Por detrás da praia de Maiandêua, no município de Maracanã, existe um lago de águas claras e cristalinas, onde mora uma linda princesa loura, de uma beleza sem igual. Ela aparece todas as noites, às margens da lagoa usando um lindo vestido branco, passeia vagarosamente pela beira do lago e depois desaparece
SACI PERERÊ
É um diabinho muito peludo, muito esperto e travesso. Ele aparece sempre às sextas- feiras, à noite, pulando com uma perna só e mostrando seus olhinhos brilhantes e os dentes pontiagudos.
Usa uma camisa e uma carapuça vermelha na cabeça e traz em uma das mãos um cachimbinho de barro.
Sua tarefa é carregar para uma mata muito distante, crianças desobedientes e manhosas, gorar ovos de ninhadas, queimar balões, azedar leite, fazer o milho de pipoca virar piruá, e atacar os viajantes, pedindo fumo e fogo. Se alguém recusar o seu pedido, ele faz tanta cócega que a pessoa morre de tanto rir.
O UIRAPURU
Certa vez um jovem guerreiro apaixonou-se pela esposa do grande cacique, mas não podia aproximar-se dela. Então pediu a Tupã que o transformasse num pássaro. Tupã fez dele um pássaro de cor vermelho-telha. Toda noite ia cantar para sua amada. Mas foi o cacique que notou seu canto. Tão lindo e fascinante era o seu canto, que o cacique perseguiu a ave para prendê-la, só para ele.
O Uirapuru voou para bem distante da floresta e o cacique que o perseguia, perdeu-se dentro das matas e igarapés e nunca mais voltou. O lindo pássaro volta sempre canta para a sua amada e vai embora, esperando que um dia ela descubra o seu canto e seu encanto.
O VELHO DA PRAIA
Conta-se que uma casinha isolada na ponta sul da praia de Maracanã é mal-assombrada, pois pertence a um velho de longas barbas brancas, vestido com roupas velhas, apoiado a um grosso cajado de madeira, que aparece de vez em quando para expulsar quem quer que seja de sua casa e depois desaparece nas águas do mar.
O VELHO E O BACURAU
Um velho muito chato, vendo um bacurau (ave noturna) pular de um lado para outro, pôs-se a gritar.
- Tua boca é grande! Tua boca é grande! - Não, não é, respondeu o bacurau. Mas, como o bacurau ficou zangado, disse ao velho: - Vou te levar comigo! Vou te levar agora....
E agarrou o velho, levou-o para o meio do mato, subiu com ele bem para o alto. De repente soltou o velho. E ao sentir que ia se estrebuchar no chão abriu a boca e começou a gritar ... então o bacurau defecou na sua boca.
É por isso que boca de velho fede...
A VITÓRIA-RÉGIA
Contam que certa vez uma linda índia, apaixonada, quis transformar-seem estrela. Na esperança de ver seu sonho realizado, a linda jovem lançou-se às águas misteriosas do rio, desaparecendo em seguida.
Iaci, a lua que presenciou tudo, num instante de reflexão, apiedou-se dela por ser tão linda e encantadora. Deu-lhe como prêmio a imortalização aqui na terra. Por não ser possível levá-la para o reino astral, transformou-a em vitória-régia (estrela das águas), doou-lhe um adorável perfume e espalmou-lhe as folhas para melhor refletir sua luz, nas noites de lua cheia.
Recife, 18 de julho de 2003.
(Atualizado em 18 de agosto de 2009).


FONTES CONSULTADAS:
BEZERRA, Ararê Marrocos; PAULA, Ana Maria T. de. Lendas e mitos da Amazônia. Rio de Janeiro: Demec, 1985. 102p.
CÂMARA CASCUDO, Luís da. Lendas brasileiras. Rio de Janeiro: Ed. de Ouro, 1984. 166p.
AS COMUNIDADES indígenas de Pernambuco. Recife: Condepe, 1981. 98p
 site http://basilio.fundaj.gov.br/      

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

CÓDIGO DE ÉTICA DOS ÍNDIOS NORTE-AMERICANOS



Mensagem dos índios norte-americanos: os 20 mandamentos do Código de ética para que não aconteça o mesmo com os nossos irmãos

Índio Kaxinawá, do rio Jordão, no Acre
A esmagadora maioria deles e de suas florestas já foram dizimados pela ganância e a necessidade de acumulação desenfreada do homem branco. Eles se foram, mas deixaram palavras e frases sábias para o homem branco seguir em paz e em harmonia com seus irmãos e a mãe natureza. Eles eram os índios dos Estados Unidos, hoje considerado o maior país do mundo em economia, em tecnologia e em outras vantagens, mas também campeões mundiais de poluição, de tragédias naturais, de egoísmo e de responsabilidade pela fome e a miséria do mundo.
Um jovem estudante de Design, da capital federal, enviou, para publicação na Kaxiana, um pôster contendo os 20 mandamentos do Código de Ética dos índios Norte-Americanos, na esperança que eles sejam seguidos pelo povo brasileiro para que não faça com os índios daqui o mesmo que os norte-americanos fizeram com os seus nativos, o povo que, lá também, mais sabiam ler e compreender a natureza e os segredos de sua rica floresta. Em nome dos índios brasileiros, que caminham para não ter o mesmo fim de seus irmãos índios norte-americanos, diante da falta, até hoje, de prioridade governamental para a região da última grande floresta tropical do planeta, publicamos, abaixo, o código de ética dos Apaches, dos Sioux e de povos indígenas norte-americanos.

1. Levante com o Sol para orar. Ore sozinho. Ore com freqüência.
O Grande Espírito o escutará se você, ao menos, falar.

2. Seja tolerante com aqueles que estão perdidos no caminho. A ignorância, o convencimento, a raiva, o ciúme e a avareza, originam-se de uma alma perdida.
Ore para que eles encontrem o caminho do Grande Espírito.

 3. Procure conhecer-se, por si próprio. Não permita que outros façam seu caminho por você. É sua estrada, e somente sua. Outros podem andar ao seu lado, mas ninguém pode andar por você.

4. Trate os convidados em seu lar com muita consideração. Sirva-os o melhor alimento, a melhor cama e trate-os com respeito e honra.

5. Não tome o que não é seu. Seja de uma pessoa, da comunidade, da natureza, ou da cultura. Se não foi ganhado nem foi dado, não é seu.

6. Respeite todas as coisas que foram colocadas sobre a Terra. Sejam elas pessoas, plantas ou animais.

7. Respeite os pensamentos, desejos e palavras das pessoas. Nunca interrompa os outros nem ridicularize, nem rudemente os imite. Permita a cada pessoa o direito da expressão pessoal.

8. Nunca fale dos outros de uma maneira má. A energia negativa que você colocar para fora no universo, voltará multiplicada a você.

9. Todas as pessoas cometem erros. E todos os erros podem ser perdoados.

10. Pensamentos maus causam doenças da mente, do corpo e do espírito. Pratique o otimismo.

11. A natureza não é para nós, ela é uma parte de nós. Toda a natureza faz parte da nossa família 
Terrena.

12. As crianças são as sementes do nosso futuro. Plante amor nos seus corações e ágüe com sabedoria e lições da vida. Quando forem crescidos, dê-lhes espaço para que cresçam.

13. Evite machucar os corações das pessoas. O veneno da dor causada a outros, retornará a você.

14. Seja sincero e verdadeiro em todas as situações. A honestidade é o grande teste para a nossa herança do universo.

15. Mantenha-se equilibrado. Seu Mental, seu Espiritual, seu Emocional, e seu Físico, todos necessitam ser fortes, puros e saudáveis.
Trabalhe o seu Físico para fortalecer o seu Mental.
Enriqueça o seu Espiritual para curar o seu Emocional.

16. Tome decisões conscientes de como você será e como reagirá. Seja responsável por suas próprias ações.

17. Respeite a privacidade e o espaço pessoal dos outros. Não toque as propriedades pessoais de outras pessoas, especialmente objetos religiosos e sagrados. Isto é proibido.

18. Comece sendo verdadeiro consigo mesmo. Se você não puder nutrir e ajudar a si mesmo, você não poderá nutrir e ajudar os outros.

19. Respeite outras crenças religiosas. Não force suas crenças sobre os outros.

20. Compartilhe sua boa fortuna com os outros. Participe com caridade.

Fonte:Kaxiana/Agência de Notícias da Amazônia
Foto: Sérgio Vale

Mitakuye Oyasin- Terra Sagrada

quarta-feira, 7 de março de 2012

CULTURA MAORI

Muito tempo depois da criação do mundo, o semi-deus Maui pôs sua canoa no mar para pescar com seus cinco irmãos. Em segredo, atirou na água um anzol mágico: o maxilar de sua avó feiticeira. Usando como isca o sangue de seu próprio nariz, fisgou um imenso peixe que repousava no fundo do oceano. Quando Maui puxou-o para a superfície, o animal se transformou na Ilha Norte da Nova Zelândia - em maori, Te Ika a Maui (o peixe de Maui). E a Ilha Sul ficou conhecida como Te Waka o Maui (a canoa de Maui).

A Arte Maori é o ponto forte, na Nova Zelândia, e bons escultores eram no passado reverenciados como deuses nas aldeias. Diversos ornamentos em madeira, osso, pedra e palha, as vezes são combinados com o azul brilhante da Paua shell, uma concha que depois de polida, mostra cores vivas e espetaculares. Os Maoris também têm o hábito de usar pendentes, cada qual com simbolismo diferente. Os pendentes são feitos de osso ou Greenstone (quartzo verde) e em joalherias encontra-se peças mais caras esculpidas em Jade. Dentre os mais usados podemos destacar o em forma de" 8" chamado Pikorua, que na cultura Maori traz amizades e crescimento. O Hei Matau, que é em formato de "anzol", representa uma jornada segura sobre a terra ou água. O Peko em forma de "espiral", traz crescimento e reinício. O Hei Tiki é um amuleto com forma humana distorcida que representa a terra, o vento e o fogo, e o Koropepe Manaia, em formato de "espiral com 2 olhos", representando uma espécie de guardião de nova vida. Esculturas em madeira são a especialidade Maori, e encontra-se milhares de tipos e tamanhos diferentes em lojas de souvenir.


Artesanatos com pele e lã de ovelha também são facilmente encontrados. Pinturas Maoris são em geral com motivos decorativos abstratos e outras tem influência de artistas de origem européia.

A Cultura Maori conhece-se como Maoritanga e o seu estilo de vida e concepção de mundo, constituem uma parte mutante e crescente da vida de Aotearoa (Nova Zelândia). Aliás, os maoris têm adotado como próprios muitos aspectos da cultura ocidental, e um número crescente de neo-zelandeses partilha na atualidade as riquezas do patrimônio maori.

O "marae" a casa de reunião e o terreiro circundante constitui o núcleo da vida comunitária maori. O marae completo funciona conforme princípios democráticos que tem evoluido à partir dos restritos códigos de comportamento que regiam cada aspecto da vida tradicional.

Hoje em dia, a maioria dos maoris vive longe do seu marae. Muitos vivem e trabalham na cidade e devem fazer um esforço especial para manter os laços sociais e culturais com seu patrimônio Maori.

Entre o mais caraterístico dos trabalhos de Maoritanga destacam as talhas em madeira de pinho kauri, de profundo significado espiritual. Mas se deseja uma boa lembrança é aconselhado os tecidos maoris e, claro, suas elaboradas tatuagens.

Uma das tradições mais arraigadas neste país é a música, que os melanésios acompanham de danças e cerimônias sagradas com cânticos e sons musicais produzidos com ajuda de um tambor de couro em forma de relógio de areia. Este primitivo instrumento era utilizado pelos primeiros povoadores destas ilhas para transmitir-se mensagens através da selva.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Cachimbo Sagrado

 O cachimbo é usado  entre os xamãs do mundo inteiro. Um instrumento para prece, bênçãos, passes, exorcismos, cerimônias em geral.

Para os nativos norte-americanos, ele surgiu com a aparição da Mulher Novilho Búfalo Branco, na tribo Lakota.

Ela explicou que o fornilho representava a Terra , e o cano tudo o que nasce sobre a Terra.

O fornilho representa o aspecto feminino e o cano o masculino. A união dos dois simboliza o princípio da criação, da fertilidade. O Cachimbo Sagrado é uma forma de oração, as preces são enviadas através do cachimbo. A cada pitada de tabaco se está honrando o que os nativos chamam de Todas As Nossas Relações ( Mitakuye Oyassim ) , que são todas as manifestações da vida da Criação, seres elementais, animais, insetos, peixes, pedras plantas, ancestrais, e etc.

O cachimbo também é utilizado por xamãs peruanos em rituais com plantas de poder, na magia dos pretos velhos, por índios brasileiros em rituais de cura e exorcismos. O fato de alguns cachimbos serem de uma peça só não tira o valor ritual.

Uma forte simbologia para os participantes da cerimônia do cachimbo sagrado, é que quem o leva a boca, deve manter os seus pensamentos puros, limpos, boas intenções

Mitakuye Oyasin

Paz e Luz

Lenda: A Mulher Novilho Búfalo Branco




Contam os anciões que em um verão a muito tempo atrás, sete fogos de conselho sagrado da Nação Lakota Oyate, se reuniram e acamparam. Todos os dias eles enviavam batedores para procurar alguma caça mas eles não encontravam nada. O povo estava faminto. Entre os bandos reunidos estavam os Itazipcho, os 'Sem-arcos' que eram liderados pelo Chefe Chifre Ôco de Pé. Numa manhã bem cedo o Chefe enviou dois de seus guerreiros para caçar nas Montanhas Negras da Dakota do Sul. 

Eles procuraram por todos os lugares mas não encontraram nada. Então eles resolvem escalar uma colina bastante alta para poderem avistar toda a terra. 

No meio do caminho, eles avistam algo vindo, bem de longe, em sua direção, mais se parecendo com um novilho de búfalo branco; mas a figura estava flutuando em vez de andar. Dalí, eles souberam que era uma pessoa "wakan", santa. No início eles podiam ver somente uma pequena mancha se movendo mas eles sabiam que ela tinha a forma humana. E assim que ela se aproximou mais eles viram que era uma linda jovem índia, mais linda do que todas que eles conheciam. 

Ela usava um traje de couro branco que brilhava ao sol. Ele estava bordado com lindos desenhos sagrados de espinhos do porco-espinho, em cores tão radiantes que nenhuma mulher seria capaz de fazer. Esta estranha santa era "Ptesan-Wi", a Mulher Novilho Búfalo Branco.
Em suas mãos ela levava um fardo grande e um leque de folhas de sálvia. Tinha seus cabelos soltos exceto por uma trança no lado esquerdo que era amarrada com pele de búfalo. Seus olhos eram negros e brilhantes, com grande poder neles. Os dois jovens olhavam para ela boquiabertos, mas um deles a desejou esticando seus braços para tocá-la. Esta mulher era lila wakan, muito sagrada e não podia ser tratada com desrespeito. Instantaneamente um raio atingiu o jovem fulminando-o no lugar, sobrando somente um montinho de ossos queimados. Em uma outra versão dizem que a mulher pediu ao guerreiro que estava com pensamentos ruins para dar um passo a frente, e instantaneamente uma nuvem negra envolveu o seu corpo e quando ela se dissipou, não havia restado nada dele. O outro guerreiro se ajoelhou e começou a rezar.
Ao outro jovem que havia se comportado corretamente, a Mulher Búfalo Branco falou: "Trago boas coisas, algo sagrado para sua nação. Um mensagem eu carrego para o seu povo, do povo da nação do Búfalo. 

Volte à sua tribo e diga a seu povo para se preparar para minha chegada. Diga a seu Chefe para erigir uma tenda medicinal com vinte e quatro postes. Que ela seja santificada para minha chegada."
O jovem caçador voltou à sua tribo e contou ao Chefe e ao povo o que a mulher sagrada havia ordenado. 

E assim, o povo erigiu uma grande tenda medicinal e esperou. Depois de quatro dias eles viram a Mulher Novilho Búfalo Branco se aproximar, levando o fardo diante dela. Com seu lindo vestido de couro branco brilhava de longe, ela chegou entoando uma canção sagrada; "Com um sopro visível, eu caminho. Um voz eu envio enquanto caminho. De maneira sagrada, eu caminho. Com pegadas visíveis, eu caminho. De um jeito sagrado, eu caminho." O Chefe Chifre Ôco de Pé convidou-a para entrar na tenda medicinal.
Ela entrou e circulou o interior no sentido do sol. O Chefe se dirigiu a ela com respeito dizendo:" Irmã, nós estamos felizes que você tenha vindo nos instruir." Ela disse a ele o que ela queria que fosse feito. No centro da tenda era para eles fazerem um owanka wakan, um altar sagrado, feito de terra vermelha com um cranio de búfalo e um suporte de três paus para uma coisa sagrada que ela estava trazendo.
Eles fizeram o que ela havia orientado e ela fez um desenho na terra vermelha macia do altar. Ela mostrou a eles como fazer tudo, e depois ela circulou a tenda de novo no sentido do sol. Parando diante do Chefe, ela abriu o fardo. A coisa sagrada que ele continha era a "Chanupa", o cachimbo sagrado. Ela o levantou para que todos pudessem vê-lo. Ela estava segurando a haste com a mão direita e o bojo (pedra) com a esquerda, e é assim que o cachimbo é segurado desde então.
Novamente o Chefe falou: Irmã, nós estamos felizes. Não temos tido carne já a algum tempo. Tudo que temos a oferecer é água." Eles derramaram alguma wacanga, erva doce, na bolsa de couro com água e ofereceram a ela, e até hoje o povo coloca erva doce ou uma asa de águia na água e a borrifa na pessoa a ser purificada.
A Mulher Novilho Búfalo Branco mostrou ao povo como usar o cachimbo. Ela o encheu com "chan-shasha", tabaco cerimonial. Ela caminhou ao redor da tenda do mesmo jeito do Anpetu-Wi, o grande sol. Isto representava o círculo sem fim, a volta sagrada, a estrada da vida.
A mulher colocou uma lasca de búfalo seco no fogo e acendeu a Chanupa com ela. Este era "peta-owihankeshni", o fogo sem fim, a chama a ser passada de geração a geração. Ela contou a eles que a fumaça que se elevava do cachimbo era o sopro de "Tunkáshila", o sopro de vida da grande Avó Mistério.
Depois a Mulher Novilho Búfalo Branco mostrou ao povo o mofo certo de orar usando as palavras e o gestos corretos. Ela os ensinou a cantar a canção de enchimento do cachimbo e como elevar o cachimbo ao céu, em direção ao Avô-Sol, e para baixo em direção à Avó Terra, para Unci-coração, e depois para as quatro direções do universo.
"Com este cachimbo sagrado," ela disse, "vocês caminharão como uma prece viva. Com seus pés descansando sobre a terra e a haste do cachimbo alcançando os céus, os seus corpos formam uma ponte viva entre o Sagrado Abaixo e o Sagrado Acima. Wakan Tanka sorri para vocês, porque agora nós somos um: terra, céu, todas as coisas vivas, os sêres de duas pernas, os de quatro pernas e os de asas, as árvores, as ervas. Juntos com o povo, estãos todos relacionados, uma família. O cachimbo os mantém todos juntos.
"Olhem para este bojo,"disse a Mulher Novilho Búfalo Branco."Sua pedra representa o búfalo, mas também a carne e o sangue do homem pele vermelha. O búfalo representa o universo e as quatro direções, porque ele se apoia em quatro pernas, para as quatro eras da criação. O búfalo foi colocado no Oeste por Wakan Tanka na criação do mundo, para reter as águas. Todo ano ele perde um fio de pelo, e em cada uma das quatro eras ele perde uma perna. O ciclo sagrado chegará ao fim quando todo o pelo e as pernas do grande búfalo estiverem ido, e a água voltará para cobrir a Mãe Terra. A haste de madeira desta Chanupa representa tudo que cresce na terra. As doze penas penduradas onde a haste - a espinha dorsal - se junta com o bojo - o crânio - são da Wanblee Galeshka, a águia manchada, o mesmo pássaro sagrado que é o mensageiro do Grande Espírito e o mais sábio de todos que voam. Vocês estão se unindo a todas as coisas do universo, pois todos clamam por Tunkáshila. Olhem para o bojo: gravado nele estão sete círculos de vários tamanhos. Eles representam as sete cerimônias sagradas que vocês praticarão com este cachimbo, e também, os Oceti Shakowin, os sete acampamentos sagrados de nossa nação Lakota."
Então a Mulher Novilho Búfalo Branco falou às mulheres, contando-lhes que foi o trabalho de suas mãos e o fruto de seus corpos que mantiveram a nação viva. "Vocês são da Mãe Terra," ela lhes disse, "o que vocês fazem é tão grande quanto o que os guerreiros fazem." Portanto o cachimbo sagrado é também algo que liga homens e mulheres em um círculo de amor. Este é o objeto sagrado que, tanto os homens quanto as mulheres possuem com aliado.
Os homens entalham o bojo e fazem a haste; as mulheres o decoram com faixas de cerdas coloridas. 

Quando um homem toma uma mulher como esposa, ambos seguram a Chanupa ao mesmo tempo, e uma tira de pano vermelha é amarrada em torno de suas mãos, os atando junto por toda a vida.
A Mulher Novilho Búfalo Branco tinha muitas coisas em sua algibeira sagrada para elas, suas irmãs Lakota; milho, wasna, nabo do mato. Ela ensinou como fazer uma lareira. Ela encheu a bolsa de búfalo com água e colocou uma pedra incandescente dentro dela. "Deste jeito vocês cozinham o milho e a carne."
A Mulher Novilho Búfalo Branco também falou com as crianças, porque elas possuem uma compreensão além dos anos que possuem. Ela conta a elas que o que seus pais e mães fizeram foi para elas, ques seus pais podiam se lembrar que já foram crianças um dia, e que elas, as crianças, cresceriam e teriam seus próprios filhos. Continuou ainda dizendo: "Vocês são a geração vindoura, e é por isso que vocês são os mais importantes e preciosos. Algum dia você segurarão este cachimbo e o fumarão. Algum dia vocês rezarão com ele."
E mais uma vez ela falou a todo o povo: "O cachimbo está vivo; ele é um ser vermelho
mostrando-lhes uma vida vermelha em uma estrada vermelha. E esta é a primeira cerimonia em que vocês usarão a chanupa. Vocês o usarão para guardar a alma de uma pessoa morta, porque por meio dele você podem falar com Wakan Tanka, o Grande Mistério. O dia em que um ser humano morre é sempre um dia sagrado. O dia em que a alma é libertada para o Grande Espírito é outro."
Ela falou uma última vez para o Chefe Chifre Ôco de Pé:"Lembre-se:este cachimbo é muito sagrado. Respeite-o que ele o levará até o fim da jornada. As quatro eras da criação estão em mim. Eu voltarei para vê-lo em cada ciclo da geração. Eu voltarei até você."
Ela ensinou a eles sete cerimonias sagradas. Uma delas foi a Tenda do Suor, ou Cerimonia da Purificação. A outra foi a Cerimonia de Nomeação, dar nomes às crianças. A terceira foi a cerimonia de medicina ou de cura. A quarta foi a feitura de parentes ou cerimônia de adoção. A quinta foi a cerimonia de casamento. A sexta foi a Busca de Visão e a sétima foi a cerimonia da Dança do Sol, a cerimônia do povo de todas as nações.
Ela ensinou canções e ritos tradicionais e instruiu o povo que se eles fizessem estas cerimonias eles seriam sempre os cuidadores e guardiães da terra sagrada. E que, se tomassem conta desta terra eles jamais morreriam e viveriam para sempre.
A Mulher Novilho Búfalo Branco então deixou o povo, dizendo: "Toksha ake wacinyanktin ktelo - Eu os verei de novo." E ainda: "...lembrem-se que os de duas pernas e todos os outros povos que habitam a terra são sagrados e devem ser tratados como tal..."O povo ficou olhando para ela caminhando na mesma direção em que havia chegado, delineada por uma grande bola vermelha do sol poente. A medida em que afastava, ela girou quatro vezes. Na primeira vez, ela se transformou em um búfalo preto; na segunda em um amarelo; na terceira em um vermelho; e finalmente, na quarta vez em que ela girou, ela se transformou em um novilho búfalo branco.
Um búfalo branco é a coisa viva mais sagrada que se pode encontrar. A Mulher Novilho Búfalo Branco desapareceu no horizonte. Tão logo ela desapareceu, uma grande manada de búfalos apareceu, se deixando abater para que o povo pudesse sobreviver. E a partir daquele dia, nossas relações, o búfalo, supriu o povo com tudo que precisavam - carne com alimento, peles para suas roupas e tendas, e ossos para suas ferramentas.

"Toksha ake wacinyanktin ktelo - Eu os verei de novo."(A Mulher Novilho Búfalo Branco profetizou que um dia ela voltaria para purificar o mundo e que o nascimento de um novilho de búfalo branco seria um sinal de que o retorno estaria próximo).
(Recontado por Sérgio Pereira Alves, baseado no livro American Indian Myths and Legends, 1980, por Erdoes and Alfonso Ortiz).

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A carta do chefe indigena para o presidente em 1854

A carta do chefe indigena para o presidente em 1854, o Governo dos Estados Unidos tentava convencer o chefe indígena Seatle a vender suas terras. Como resposta, o chefe enviou uma carta ao Presidente Franklin Pierce, que se tornou um documento institucional importante e que merece uma reflexão atenta pois é uma lição que deve ser cultivada por esta e pelas futuras gerações.

Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los?

Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.

Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro, e o homem -todos pertencem à mesma família.

Por isso, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós. O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós.

Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar as suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais.Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.

Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção da terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas, que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.

Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda.

Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece somente insultar os ouvidos.

E o que resta da vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros.

O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro -o animal, a árvore, o homem compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar também recebe seu último suspiro. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados.

Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos.

Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir. Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos.

O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo.

Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem as suas crianças o que ensinamos as nossas, que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos.

Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.

O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.

Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos – e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que O possuem, como desejam possuir nossa terra; mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e ferí-la, é desprezar seu criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos.

Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa, impregnados pelo cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruída por fios que falam.

Onde está o arvoredo? Desapareceu.

Onde está a águia? Desapareceu

É o final da vida e o início da sobrevivência.


                                                              Equipe Terra Sagrada- Mitakuye Oyasin -Paz e Luz

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Caminho Vermelho

``A mudança não é nada de novo.É uma lei da natureza.Tudo o  que 
nasce deve morrer e o que morre deve nascer.O ser humano é escravizado
pela sua natureza inferior.Eu vim para conduzir os seres humanos a uma 
senda mais elevada.O Eu superior deve ser desenvolvido para que o Eu
inferior seja destruído eo coração seja transformado.Sejam humanos.Levem
esta mensagem para o mundo´´.
                                                                 Mensagem dita por Babaji


Devemos refletir se estamos realmente trilhando o caminho ``vermelho´´ de uma forma correta. Vamos refletir em nossa vida, e identificar quais mudanças devem ser feitas para que possamos estar em união total com o Todo, e participar plenamente do Grande Mistério e assim firmarmos nossa ligação com o Pai ``WAKAN TANKA´´.

Temos que procurar nossas respostas na simplicidade do saber, porque na verdade a perfeição, a sabedoria começa com a simplicidade, basta olharmos a nossa volta para confirmar. 

A Mãe Terra nos mostra toda a perfeição e sabedoria do Pai, tudo o que há na natureza é perfeito e é nos mostrado da forma mais simples possível, para que possamos aprender basta querermos enxergar. O Pai nos ensina de varias formas e nos mostra vários caminhos, depende só de nós a escolha de qual direção vamos seguir e como vamos seguir.

Vamos meditar em nossa vida e sentir se realmente estamos seguindo o caminho certo da maneira certa, porque assim vamos evitar muitos espinhos na nossa caminhada. Toda criação do Pai faz parte Dele, então como Ele tudo é sagrado.

Em nossa caminhada devemos aprender, seguir e ensinar palavras sagradas: humildade, sinceridade, respeito, amor, paciência, são algumas dessas palavras, vamos amar uns aos outros como irmãos que somos.

Que você possa encontrar e trilhar o seu caminho da melhor maneira possível, e com isso se fortalecer,  para que possa ajudar os seus irmãos.

Paz e Luz

Mitakuye Oyasin (Eu sou aparentado com tudo o que existe)
    
Marcelo Scofoni-Equipe Terra Sagrada

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Terra Sagrada Esperando Por Todos

AHOOOOOOO

Salve Guerreiros da Luz

A Terra Sagrada esta  linda, esperando por todos vocês que vão participar de mais uma Vivência Xamanica.
Muita Paz e Luz a todos , e estamos aqui de coração aberto esperando por todos.